| Defendendo a tradição |
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| 02-Set-2008 | |
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Desde 1998 que a AARN – Associação de Artesãos da Região Norte – defende os interesses dos profissionais de um dos sectores com mais história e tradição do nosso país. Miguel Oliveira, sócio fundador da associação e actual presidente, explica as dificuldades que o sector atravessa, bem como a importância de iniciativas como o espaço “Arts & Crafts” para a sobrevivência do artesanato. Sendo ainda a forma de sustento de muitos, um pouco por todo o lado, o artesanato traduz-se numa arte cuja origem já se perdeu no tempo, e cuja evolução se encontra ameaçada, porque a tradição já não é o que era.
Miguel Oliveira: A AARN surgiu em 1998, quando um grupo de cerca de 30 artesãos decidiu ser necessário criar uma estrutura que defendesse os interesses do sector, em geral, e socioprofissionais em particular.
Fui sócio fundador da associação e presido à sua direcção desde o ano 2000.
A importância da associação para o sector é considerável. A AARN é reconhecida como a associação mais profissional, que mais iniciativas realiza e que maior apoio dá aos profissionais do sector. Organizamos também uma feira anual na cidade do Porto, que é reconhecida como sendo umas das de maior qualidade no sector.
Temos colaborado com várias organizações em iniciativas similares ao “Arts & Crafts” e damos-lhes grande importância. Entendemos que constituem um percurso, uma opção de promoção e de comercialização que, para alguns artesãos, poderão abrir portas para novos mercados.
Conheço bem a CERANOR porque fui expositor durante vários anos. É uma feira profissional que, inicialmente, estava mais relacionada com o sector da cerâmica e vidro mas que, actualmente, tem um carácter mais generalizado e abrangente na área da decoração. É uma feira direccionada para a promoção e estabelecimento de contactos, de maneira a angariar encomendas de profissionais.
Ainda é cedo para revelar o que vai poder ser visto na CERANOR 2008, mas em edições anteriores desta iniciativa, aquando da feira INTERDECORAÇÃO, estiveram presentes áreas como cerâmica, azulejaria, têxteis, ferro e vidro, entre outras.
Estamos a preparar a nossa presença em alguns certames que se realizam em Espanha e estamos ainda a organizar o nosso principal evento anual – a Feira de Artesanato do Porto – que se realiza em Dezembro, no centro da cidade.
Têm existido alguns avanços em termos de regulamentação do sector e do reconhecimento profissional de artesãos. O sector padece há alguns anos de maior atenção por parte do Estado, particularmente no que respeita a investimentos e sistemas de incentivo ou apoio à modernização e desenvolvimento de ateliers e suas estruturas. Penso que ainda não houve, por parte de nenhum governo, uma visão estratégica para o sector. Têm-se desperdiçado as possibilidades de explorar a imagem do artesanato português como representação e referência da identidade de Portugal. E isto acontece tanto com o artesanato tradicional, como com o novo artesanato, que apresenta actualmente peças de excelente design, e poderia ser promovido, como acontece em outros países como a Itália ou a Finlândia. Mas para que isso acontecesse, teria de haver interesse por parte dos organismos do estado pela promoção do artesanato de maior qualidade, com apoios para o efeito.
Não possuímos números exactos (e penso que ninguém em Portugal os possui). No entanto, a questão do número de artesãos sempre foi algo oscilante pois, apesar da significativa quantidade de artesãos profissionais que se dedicam à profissão a tempo inteiro há anos e que já têm a sua actividade consolidada, existem quantidades significativas de artesãos que apenas passam pelo sector para desempenhar uma actividade temporária e de recurso. Tal facto, deve-se essencialmente aos números de desempregados e à política dos sucessivos governos, que incentiva todo o tipo de pessoas a tentar a sua sorte no artesanato como alternativa ao desemprego.
Existem ainda alguns pólos de artesanato que mantêm a sua tradição, mas, pelas razões já apontadas, sobrevivem apenas aqueles cujas autarquias se empenham em proteger e preservar. O caso mais conhecido talvez seja o de Barcelos, mas há também o bordado de Viana do Castelo e de Vila Verde, a ourivesaria e filigrana de Póvoa de Lanhoso e Gondomar. Além disso, temos ainda outros, de menor dimensão, como é o caso da louça negra de Vilar de Nantes e de Bisalhães.
Isso dependerá em grande parte da conjuntura do país, que não tem sido favorável às empresas (principalmente às de pequena dimensão) e dos investimentos que venham a ser feitos para revitalizar o sector. De momento, passamos por graves dificuldades de sustentabilidade face ao volume de vendas, que tem descido de forma acentuada nos últimos anos. A este factor junta-se ainda o aumento dos impostos que já é quase incomportável para a maioria das pequenas empresas. Fonte: Página Oficial da CERANOR 2008
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